Era um romance antigo, nunca realizado. Primeiro Davi se foi, estudos, família, distância. André ficou. Cartas, bombons, horas de telefone. Aí, Davi voltou r André se foi. Escola, família e mais distância.
Enquanto não houve distância não houve amor.
Por parte de Davi era só amizade, amor e tesão. Para André era o amor que não cabia em si. Nada menos que o amor lhe interessava. Quando Davi se foi , o chão se abriu, a fome passou e o sono era pesadelo. Os dias só passavam através de poemas, música e lágrimas..... até o reencontro acontecer. Com a distância ainda maior, as cartas eram mais constantes, as promessas mais intensas e o amor que parecia explodir , com o tempo adormeceu.
Os anos passaram e Davi se casou com Marcos e Gui. André se casou com Tânia. Filhos nasceram de todos os lados. Enquanto o tempo passava, o amor adormecido muitas vezes despertava, nas datas, nas músicas que tocavam no carro, nas lembranças das risadas. "Como será que ele anda?" - Pensavam. E um belo dia , com casamentos desfeitos os dois saravam suas mágoas e criavam risadas para sobreviver e pensando algumas vezes, sem querer, um no outro.
Quando um amigo em comum adoeceu um reencontro aconteceu e palavras faltaram. E foi assim que Davi e André descobriram que o amor nunca acabou, que o tempo nunca passou e pararam exatamente daquele tempo...onde as promessas não foram cumpridas. Reataram, juntaram os amores, os filhos e continuavam vendo o pôr-do-sol ao som de "como eu quero".

Boa narrativa. Pensando na proposta da atividade, você trabalha com algumas das figuras exploradas por Roland Barthes nos "Fragmentos de um discurso amoroso", que nós discutimos. O texto está bem equilibrado.
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