terça-feira, 9 de outubro de 2012

Como eu quero

Era um romance antigo, nunca realizado. Primeiro Davi se foi, estudos, família, distância. André ficou. Cartas, bombons, horas de telefone. Aí, Davi voltou r André se foi. Escola, família e mais distância. 

Enquanto não houve distância não houve amor.

Por parte de Davi era só amizade, amor e tesão. Para André era o amor que não cabia em si. Nada menos que o amor lhe interessava. Quando Davi se foi , o chão se abriu, a fome passou e o sono era pesadelo. Os dias só passavam através de poemas, música e lágrimas..... até o reencontro acontecer. Com a distância ainda maior, as cartas eram mais constantes, as promessas mais intensas e o amor que parecia explodir , com o tempo adormeceu. 

Os anos passaram e Davi se casou com Marcos e Gui. André se casou com Tânia. Filhos nasceram de todos os lados. Enquanto o tempo passava, o amor adormecido muitas vezes despertava, nas datas, nas músicas que tocavam no carro, nas lembranças das  risadas. "Como será que ele anda?" - Pensavam. E um belo dia , com casamentos desfeitos os dois saravam suas mágoas e criavam risadas para sobreviver e pensando algumas vezes, sem querer, um no outro. 

Quando um amigo em comum adoeceu um reencontro aconteceu e palavras faltaram. E foi assim que Davi e André descobriram que o amor nunca acabou, que o tempo nunca passou e pararam exatamente daquele tempo...onde as promessas não foram cumpridas. Reataram, juntaram os amores, os filhos e continuavam vendo o pôr-do-sol ao som de "como eu quero". 



Um comentário:

  1. Boa narrativa. Pensando na proposta da atividade, você trabalha com algumas das figuras exploradas por Roland Barthes nos "Fragmentos de um discurso amoroso", que nós discutimos. O texto está bem equilibrado.

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